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    from JacobJ.Lumier on Oct 23, 2008 11:54 AM
    POR UM CIBERACTIVISMO DESCENTRALIZADO 
    
    Quando se fala de ciberactivismo lembramos logo de organizações exemplares em mobilizar pelo correio, como Anistia Internacional ou Greenpeace, que desde sempre mostraram o caminho para ações sociais eficazes a distância, revalorizando o exercício da cidadania para a Democracia em escala das sociedades globais.
    
    Mas a Internet é dinâmica ao extremo e promove a variabilidade ao infinito, de tal sorte que hoje em dia encontramos muitos websites voltados para agrupar os mobilizadores e os mobilizados em ações por E-mail, que objetivam as diversas questões aglutinadoras de usuários em um espectro que vai das campanhas políticas aos interesses de consumo, tendo em comum a abertura para a participação nos assuntos públicos e o maior acesso aos produtos culturais e conhecimentos na Internet. 
     
    Frequentemente as mobilizações de usuários para as ciberações não ocorrem em correntes espontâneas, descentralizadas ou desprovidas de websites específicos funcionando como polos de aglutinação. Ciberação espontânea em sentido estrito de técnica para a desobediência civil ocorreu, por exemplo, no caso dos interesses laborais em oposição à lei do "contrat première embauche - CPE"(Janeiro de 2006), na França. 
    
    Fora das questões sociais e trabalhistas de impacto coletivo ou para além dos casos de comoção pública, quase sempre as mobilizações para ciberações são promovidas por mobilizadores em cujos websites os participantes podem inscrever-se, registrar-se e aí destinar as cópias de seus e-mails de campanha, para fins estatísticos de comprovação da existência efetiva do protesto. 
    
    Vê-se desta forma que as ciberações podem ter um caráter de oposição ativa, chegando à desobediência civil em face da legislação, como no caso laboral mencionado, ou uma oposição simplesmente defensiva, manifestação social que visa chamar atenção, resistir, fazer pressão e tentar inibir os desvios de funções, as práticas prejudiciais aos interesses legítimos e explorações nefastas ou arriscadas para o bem-estar. 
    
    Quer dizer, para que a reação digital a uma situação real constitua uma ciberação não é imprescindível que se transforme em uma grande ou numerosa corrente de opinião. Basta que objetive claramente a situação prejudicial a ser protestada. 
    
    Desta forma, é válido cogitar a implementação de um espaço para o ciberativismo no OpenFSM. 
    
    Certamente, existem situações reais objetivadas nas ações sociais que o Forum Social Mundial atualiza e que devem e podem ser protestadas via Internet. 
    
    Além disso, existem aquelas que podem ensejar um ciberação descentralizada, e ser promovidas e exercidas sem precisar de um Website especial para registro requerido.
    Quer dizer, descentralizada é a ciberação inspirada no modelo das correntes espontâneas. Nestas, os usuários despacham seus E-mails por sua conta e decisão individual, sem registro prévio na página de uma organização já constituída. 
    
    Por sua vez, no modelo descentralizado ora em cogitação, a diferença é que, embora estejam por sua conta e decisão individual, os participantes enviam seus E-mail em acordo com uma só mensagem que editam a partir de uma página matriz, ficando ao seu critério o depósito ou não de uma cópia do mesmo junto ao titular da página, para fins de estatística da corrente em formação. 
    
    Em suma, em uma ciberação descentralizada os participantes aderem à "causa" e subscrevem a mensagem que copiam em seus E-mails, mas só se tornarão aderentes de uma organização caso a corrente assim formada dê ensejo a criação de uma entidade social. 
    
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