
Embora tenha graves custos sociais, a crise de que fala a mÃdia acontece no mundo dos negócios capitalistas e, para solucioná-la, conta com os instrumentos do capitalismo organizado (constituÃdos em torno dos Bancos Centrais independentes) além dos foros econômicos multilaterais.
Com a globalização, nota-se que a dependência de um paÃs em relação a outros adquiriu novos contornos, de tal sorte que, mensmo sendo o principal exportador de alimentos do mundo, o Brasil depende mais dos maiores mercados externos do que estes do Brasil.
Em compensação, paÃses como os EUA também cultivam a sua dependência, no caso, os Estados Unidos dependem mesmo é da China, o seu maior credor, com cerca de US$ 1 trilhão investido em tÃtulos do Tesouro americano.
Embora se trate de um comentário crÃtico a respeito da cobertura pela imprensa do encontro de Lula e Obama, reproduzo nesta página alguns trechos do artigo postado por Luiz Weis em 16/3/2009 no Blog Verbo Solto, Web do Observatório da Imprensa, que esclarece algumas linhas das negociações que correm hoje em dia para reduzir o descontrole na economia dos papéis e tÃtulos financeiros.
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Trechos do artigo “A pergunta que a imprensa não fez“.
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(…) Por que os nossos jornais não submetem ao teste de realidade o oba-oba do embaixador Patriota sobre os presumÃveis efeitos, na polÃtica mundial, do peso da economia brasileira? Está na cara que isso é pouco, por exemplo, para o paÃs se contrapor efetivamente ao surto renovado de protecionismo que ameaça o comércio mundial e que Lula não perde oportunidade de atacar.
É pauta para gente grande – e talvez para não muitos leitores. Envolve discutir a relativa capacidade do Brasil de construir maiorias nos foros multilaterais para sujeitar os mercados financeiros à regulação do Estado, a fim de acabar com a perversa hegemonia do mundo dos papeis sobre o mundo da produção, a economia real.
Pode parecer abstrato, mas isso é incomparavelmente mais importante do que a duvidosa eventualidade, apresentada quase como uma certeza nas manchetes, de o Brasil e os Estados Unidos irem para a reunião do G-20 com uma “posição conjuntaâ€.
Duvidosa porque Lula defende – e Obama é contra – a estatização da banca americana para destravar os fluxos de crédito e preparar o terreno da reforma do sistema. E porque Obama já disse que os Estados Unidos não aceitam a idéia de uma reforma compulsória, decidida de fora para dentro.
As posições do governo americano refletem as preocupações e os interesses de Wall Street que sobrevivem ao seu desmoronamento. E foi de Wall Street que vieram as maiores contribuições para a campanha de Obama, como lembrou o economista inglês Simon Johnson, do MIT, numa lúcida entrevista à Rede Pública de Rádio dos Estados Unidos que pelo menos os nossos jornalistas especializados fariam bem em conhecer. (…) [A propósito, Johnson teme que a crise não se resolverá se o resgate da banca não incluir uma faxina em regra nos seus ativos. A isso se opõem os seus controladores: eles querem tudo, menos ficar com o mico de suas atrocidades financeiras.]
O cacife do Brasil não é uma questão de “peso†da economia nacional, mas de dependência – e, goste-se ou não, o Brasil depende mais dos maiores mercados externos do que estes do Brasil, embora o paÃs seja o principal exportador de alimentos do mundo.
Os Estados Unidos dependem mesmo é da China, o seu maior credor, com cerca de US$ 1 trilhão investido em tÃtulos do Tesouro americano. Na semana passada, foi um auê quando o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao disse que, “para ser sincero, estou um pouco preocupado†com a segurança desse investimento.
Por isso, na coletiva de imprensa ao lado de Lula, a principal pergunta que Obama teve de responder foi sobre a preocupação manifestada por Jiabao. Previsivelmente, ele disse que “não só o governo chinês, mas todo investidor pode ter confiança absoluta na segurança dos seus investimentos nos Estados Unidosâ€.
E foi com essa resposta que o New York Times abriu a sua matéria na edição de domingo sobre o encontro dos dois presidentes. Nada de Lula ou Brasil no tÃtulo, mas “Obama tranquiliza paÃses sobre a dÃvida dos EUAâ€. A matéria tem 10 parágrafos. O Brasil e o seu presidente só aparecem do quinto parágrafo em diante.
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Trechos reproduzidos por Jacob (J.) Lumier
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