• Socidade-em-rede-OU-sociedade-do-controle?

last modified January 9, 2009 by gnueverton

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FSM2009 e os atuais desafios da comunicação democrática: O paradoxo dos benefícios da sociedade em rede e as perigosas possibilidades da sociedade do controle



Este texto está em construção, então, sinta-se a vontade para contribuir. Grande abraço.

Ao analisar a história da existência da vida humana, veremos que a humanidade passou por profundas transformações. Essas mudanças são entendidas como: a evolução humana. Além disso, compreende-se que essas modificações possuem ligações com o desenvolvimento da tecnologia, quase que despercebidas pela sociedade.

Por exemplo: como seria o mundo de hoje se no período pré-histórico não tivéssemos adquirido conhecimento tecnológico para produzir e utilizar o fogo e a roda? É possível imaginar nossa sociedade sem essas duas ferramentas?

E se não tivéssemos passado pela revolução industrial? Fenômeno que impactou no processo de produção em grande escala e, com isso, construiu a sociedade do consumo.

Atualmente  estamos passando por outras transformações, e o impacto destas atingem profundamente todos setores da sociedade, em suas relações econômicas, culturais e politicas .Ter acesso com velocidade a dados, informações e conhecimentos, é sinônimo de poder, e isto é uma revolução que leva diferentes nomes: a era digital, revolução da informação, sociedade da informação, era da informação, sociedade em rede, entre outras.

Em, 1957 os soviéticos lançaram o Sputnik (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sputnik) o primeiro satélite artificial lançado ao espaço, que resultou no aumentou da corrida tecnológica na guerra fria, travada entre EUA e ex-URSS.

Após esse acontecimento pioneiro da ex-URRS, os EUA com medo de um ataque nuclear estimulou o desenvolvimento de um sistema de comunicação que funcionava de forma descentralizada, e que conectava vários agentes, ou pontos de comunicação, para que, facilitasse a circulação de informações militares, nascendo assim a ARPANET.

Podemos dizer que este fato teve como resultado a fomentação de especialistas em tecnologia de computadores em rede, ou hackers, que já tinham iniciativas na área e trocavam conhecimentos nas universidades norte americanas.

É bom salientar que o senso comum da sociedade compreende que um hacker é um fora da lei virtual, um criminoso que usa tecnologia para fins ilegais. Quando na verdade são práticas de um cracker (quebrar) ou seja, é quem utiliza seus avançados conhecimentos para alterar códigos de softwares para registrar informações de forma ilegal e alcançar seus objetivos através da internet.

Mesmo que o senso comum confunda um hacker com um cracker, os hackers possuem objetivos coletivos. Seus softwares podem ser usados por qualquer pessoa para qualquer tarefa desde que não altere as liberdades dos códigos. Um hacker deve respeitar o código de ética hacker. Esse código tem como princípio a colaboração. http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica_hacker

Em seguida, essa tecnologia passou a ser usada nas pesquisas universitárias, e por isso, muitos jovens tiveram acesso a informações tecnológicas, e isso fortaleceu o movimento hacker que possuía a filosofia da liberdade do acesso ao conhecimento. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet)

A partir dai, milhares de computadores ao redor do mundo, interligados fisicamente por cabos ou por ondas, e pelo protocolo de Internet, tornam possível que milhões de pessoas comuniquem-se com confiança e liberdade, formando assim a internet que conhecemos.

A internet por ser um meio para o envolvimento social e humano é a mais importante criação coletiva desde então, a mais democrática ferramenta de comunicação, por sua capacidade de oferecer interatividade. Suas possibilidades de manifestações da diversidade cultural, local e planetária são infinitas.

Por isso, hoje podemos afirmar que estamos na era da “sociedade em rede”, já que como como dizem a internet não é somente uma rede de computadores, e sim uma rede de pessoas.

A sociedade em rede nos permite re-significar o conceito de comunidade. Comunidade não é mais sinônimo apenas de uma dimensão do tempo e espaço onde o individuo precisa participar fisicamente. Hoje uma pessoa que mora num determinado bairro em Porto Alegre, que esteja na rede, pode fazer parte de um número ilimitado de “comunidades”. E ainda pode ser um ativista orgânico em cada uma das suas comunidades, interagindo a partir do seu ponto de conexão. Isso tudo porque cada integrante da rede pode comunicar-se com qualquer outro integrante, ou grupo, que também esteja na rede.

Todas essas relações em comunidades, operações financeiras, troca de emails e páginas acessadas, fazem com que muitos dados, informações e conhecimentos, circulem na internet. Assim sendo, forma-se um grande banco de dados daquilo que é produzido, acessado e transmitido pela rede.

Com a internet, hoje temos disponível a IPTV, a TV que usa o mesmo princípio da internet, e que irá superar a TV de espectadoras(es) passivas(os) que conhecemos. Essa tecnologia permite ir além de simplesmente enviar e receber vídeos e sons, ela permite também, utilizar em vídeo e som a interatividade da internet, e com a mesma qualidade de imagem e som de televisão. “Na compra de uma velocidade de 6 Mbps de Internet + um pacote de IPTV, a companhia telefônica disponibiliza no mínimo 10Mbps para o cliente, dois quais 4 Mbps são exclusivos para o IPTV”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/IPTV).

Segundo estudo da ABI, consultoria de inteligência em TI (teconologia da informacão) para mercados emergentes, divulgado em abril de 2007, aponta que a IPTV alcançou a marca de 13,5 milhões de usuários do mesmo ano, e prevê que o número de usuários será superior a 90 milhões até o final de 2013. (http://www.baguete.com.br/noticiasDetalhes.php?id=24013)

A TV digital que é transmitida por ondas, já em uso em países desenvolvidos, e em fase de implementação no Brasil, promete dar interatividade a todos os aparelhos de televisão.

Mesmo no Brasil, em abril de 2007 estudo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás, concluiu que a TV está em 97,1% das casas brasileiras.

Todos esses dados, informações e conhecimentos tanto na internet, como na IPTV, que funciona pela internet, e também pela TV Digital, numa visão simples, circulam por protocolos (softwares) e rotas (infra-estrutura física) que determinam os caminhos para o acesso as informações. Se os provedores de acesso que gerenciam os protocolos e a infra-estrutura derem privilégios para a circulação de algumas informações, temos caracterizado a violação de um princípio básico que permitiu a internet chegar onde chegou: a neutralidade da rede.

Lawrence Lessig afirma que governo norte-americano tem um plano que ameaça à neutralidade da rede. (Mais informações: http://portal.softwarelivre.org/news/12112)

"A neutralidade da rede significa que todas as informações que trafegam na internet, e devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. É esse princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Neutralidade_da_rede)

O google está procurando as grandes operadoras de telefonia e provedores de conexão a cabo dos EUA para uma “via expressa” para o conteúdo transmitido pelo mecanismo de busca” (Mais informações: http://www.softwarelivre.org/news/12423).

Se um acordo entre google e empresas de conexão for firmado com privilégios, todas as informações da corporação google circularão, e significa que mesmo quando a internet estiver lenta com muitos usuários acessando, as informações do google irão chegar sempre primeiro. Com isso, essa empresa vai derrubar qualquer outro servidor de informações e busca.

Além disso, temos o debate de onde os nossos dados são armazenados, e em que tipo de formato. Quem pode ou não ter acesso a esses dados?

Quando utilizamos um servidor privado e “gratuito” de dados como o google, yahoo ou hotmail, significa que tudo o que pesquisamos, transmitimos e armazenamos, são de propriedade dessas empresas. E, portanto, essas empresas podem fazer o que quiserem com essas informações.

Vamos analisar o recente acordo da micro$oft com o Governo do Pará. O acordo que o governo do Pará acha correto é que todas(os) as(os) funcionárias(os) públicos e usuárias(os) da inclusão digital, Navega Pará, terão seus emails dentro de servidores da empresa privada micro$oft. E quando as servidoras(es) públicos trocarem emails sobre uma determinada licitação? Será que não se percebe que essa empresa terá privilégios no acesso a essas informações sigilosas? (Mais informações do acordo: http://samadeu.blogspot.com/2008/12/governo-do-par-vai-privatizar-e-mails.html). Vale lembrar que essa idéia é adotada por outros governos: São Paulo e Sergipe. Diante disso, seria importante, que durante o FSM as/os militantes do software livre, comunicação e cultura digital, fizessem uma manifestação pública sobre esse acordo nocivo ao estado e a sociedade.

Recentemente foi aprovada no senado brasileiro, e agora está na câmara dos deputados, uma lei de controle da internet. A idéia é combater crimes digitais, e para isso os provedores de conexão, deverão guardar por 3 anos tudo que as pessoas acessam na rede. Os provedores também deverão informar para a justiça se o usuário está ou não acessando conteúdo ilegal, e para isso, será necessário vigiar as atividades na rede. Portanto, esse projeto viola o direito a privacidade, e torna ilegal um simples ato de baixar músicas e filmes. Mais informações acesse os links: http://portal.softwarelivre.org/news/12366 e http://portal.softwarelivre.org/news/12010 )

Portanto, onde está o perigo de construirmos a sociedade do controle? Com todas essas possibilidades tecnológicas podemos construir uma sociedade mais democrática ou totalmente controlada, superando a censura da ditadura militar.

Como podemos notar a sociedade em rede avança em passos largos, e passa por essas tecnologias comunicacionais a construção de uma sociedade democrática. E para isso é preciso existir a gestão democrática de todas essas tecnologias. A neutralidade da rede precisa ser preservada, e os provedores de dados devem ser públicos, livres e com controle social. Também faz-se necessário a existência de infra-estrutura pública, de conectividade, a fim de garantir o pleno acesso.

Além disso, a sociedade em rede, em constante ampliação, através das tecnologias de comunicação e informação (TIC's), pode produzir conhecimentos para a criação de novas tecnologias, mais adequadas ao meio ambiente e com menor nível de poluição causado pela sua produção e consumo em massa.

Por isso, que o processo Fórum Social Mundial, e já na edição de Belém, deve encarar esses temas de frente, e coletivamente encontrar soluções para impedir que todas as possibilidades de uma comunicação democrática sejam atropeladas por iniciativas que apontam para a sociedade do controle.

Ou pensamos e propomos diretrizes democráticas, ou somos simplesmente controladas(os) e penalizadas(as) por falta de ação.