Chamo-me Maurizio Pallante, e junto com um grupo de amigos em Itália, fundámos o Movimento para o Decrescimento Económico.

 

Nos países ocidentais, fala-se sempre do decrescimento como um objectivo da actividade económica produtiva e acreditamos, generalizou-se a ideia de que o bem-estar consiste na quantidade de coisas que as pessoas consomem.

 

Consumir sempre mais coisas significa utilizar sempre mais recursos, e nós, nos países ocidentais, para o nosso crescimento, utilizamos os recursos de todo o mundo, não só os que são produzidos no nosso território, retirando-os a quem teria o direito de os usufruir.

 

Até as pessoas que se pode considerar de boa vontade, que sentem que é uma injustiça este tipo de relação de “rapina” dos recursos de todo o mundo, quando querem ajudar, de alguma forma, os povos pobres, tentam introduzir na sua cultura os modelos da nossa cultura, convencidos que a pobreza consiste na falta de dinheiro.

 

O dinheiro é importante se se tem de comprar tudo, mas se na cultura de um povo, existe a capacidade de utilizar os recursos da terra para obter os bens de que se tem necessidade, não é preciso comprar tudo. Pelo contrario, é uma relação mais correcta, não de exploração do território, a capacidade de permitir também às gerações futuras, os que virão, de utilizar os mesmos recursos.

Nos países ocidentais, o movimento para o decrescimento começa a mover os primeiros passos e tem como um dos seus objectivos, descobrir toda uma série de técnicas tradicionais para produzir bens que se consomem directamente, e não para comprar objectos, para comprar mercadorias.

 

As culturas tradicionais permitiram aos povos sobreviver durante centenas de anos. A nossa cultura, baseada no crescimento da produção de mercadorias, não tem futuro, não só para nós para para toda a humanidade. Devemos fazer uma inversão de tendência relativamente à nossa forma de viver e devemos também entrar em relação com os outros povos, não para impor ou sugerir o nosso modelo, mas para fazer o possível para valorizar ao máximo a sua cultura e a sua historia.

 

Nós sabemos que os povos pobres têm tendência para imitar o Ocidente, têm a tendência para imitar o nosso modelo, que é absolutamente destruidor. Nós devemos, em vez disso, aprender a fazer como fazem os povos pobres, ou seja, a redescobrir todas as técnicas tradicionais para ter uma relação correcta com a nossa terra, para retirar da nossa terra tudo o que precisamos para viver, sem a explorar até ao esgotamento dos seus recursos.

 

Gostaria muito, que existisse uma relação mais correcta entre os povos ocidentais e os povos pobres, no qual, reciprocamente, aprendemos as coisas boas que cada um de nós, aprendeu da historia, para levar-vos a vocês os conhecimentos do que fizemos de bom, e para aprender convosco, para que ganhemos consciência do que vocês fizeram de bom.

 

Se formos capazes de colher toda a riqueza de uma relação correcta com o território, com os seus recursos, ligados a modos tradicionais de produção, nossos e vossos, podemos ter um futuro melhor, nós e vós, saindo da miséria, não porque acumulamos o máximo de dinheiro possível, mas porque conseguimos ter tudo o que nos serve para viver, sem restrições, mas também sem desperdício. Com grande respeito pelo lugar onde vivemos, com grande respeito entre nós, nas relações inter-pessoais, e com grande respeito por nós mesmos. Porque o sentido da vida não é acumular o máximo de coisas possível, mas ter relações serenas com os outros e com o lugar onde se vive.

Espero poder, um dia, ir ter convosco e a cumprimentar-vos pessoalmente.

Filed January 10th, 2009 under Uncategorized