MOBILIZAR PARA COMUNICAR …

… para mobilizar para comunicar para mobilizar. 

Conceito, orientações e propostas da comunicação alternativa rumo ao FSM 2009 em Belém

Durante uma semana diferentes grupos e movimentos de comunicação e iniciativas de mídia alternativa estiveram em diálogo, na cidade de Belém, com o Conselho Internacional do Fórum Social Mundial para construir a proposta de comunicação da próxima edição desse grande encontro que será realizado de 27 de janeiro a 1 de fevereiro do próximo ano, também na capital paraense.

O diálogo foi feito com a Comissão de Comunicação do FSM, convidada a relatar as experiências das edições anteriores e a escutar as propostas e preocupações que já se identificam nos preparativos amazônicos para a construção de um grande projeto comum, que tenha elementos de referência para que a comunicação do FSM comece a ser construída desde agora, em qualquer lugar onde a participação em Belém seja planejada.

O destaque em todos os debates foi a prioridade que o FSM dará para a acolhida das mídias alternativas, um universo bastante amplo que vai desde as mídias preocupadas/ocupadas com os temas de interesse dos movimentos sociais até os setores de comunicação dos movimentos sociais que se preocupam com a democratização das mídias. O conceito histórico que mais uma vez se confirma na comunicação FSM é o da comunicação compartilhada, observado desde 2001, com a primeira edição da Ciranda e posteriormente com as primeiras experiências colaborativas de radios e tvs comunitárias.

O CONCEITO

A comunicação compartilhada é a possibilidade de participar de uma ação midiática coletiva ou trabalho de cobertura livre e/ou jornalística de eventos de interesse social , através da troca de esforços e conteúdos entre meios e pessoas envolvidas com a comunicação não corporativa ou de mercado. Tem característica de resistência à lógica neoliberal de gestão controlada da comunicação ao contrapor a troca solidária às práticas competitivas de mercado e ao abordar temas de interesse jornalístico, social, cultural ou político sem o viés mercantilista utilizado pelos grandes meios.

De diferentes formas o conceito tem sido aplicado por iniciativas organizadas no universo do Forum Social Mundial, como Ciranda (internacional e reunindo meios diversificados), Fórum de Radios (radios alternativas e comunitárias), Fórum de TVs (meios audio visuais) e Laboratórios Livres (geralmente de difusão de cultura digital), além de iniciativas de alcance continental, como Minga e  Flamme D’Afrique e outras coberturas colaborativas de radio, a exemplo da Púlsar.

Esse conceito também está presente na apropriação de ferramentas disponíveis na internet, a exemplo de sites como Indymedia ou Estúdio Livre e foi incorporado pelo FSM através dos sites FSM Process e, WWW.FSM2008.net, WWW.wsftv.net e, agora, o WWW .openfsm.net.  

Além das iniciativas e espaços virtuais existe também um processo de construção de grupos e redes que se encarregam da gestão dessas iniciativas e dos quais participam comunicadores(as) ligadas ao FSM,  movimentos e redes de comunicação, feministas, movimento negro e educomunicação.

AS TRÊS EXPERIÊNCIAS BASE

A proposta central  das mídias alternativas para Belém tem muita similaridade com a logística criada em Porto Alegre, no FSM 2005 e com as interconexões criadas para a edição descentralizada de 2008, com o chamado que o FSM fez para um Dia de Ação e Mobilização Global. A novidade está na combinação das duas com as propostas que vierem das regiões pan-amazônicas em 2009.

1ª - Projetos compartilhados

As práticas de comunicação contra-hegêmonica de 2005 se deram através da construção, pelas mídias e movimentos midiáticos, de quatro projeto compartilhados que fizeram coberturas colaborativas: um pelas redes de rádios comunitárias, livres e populares (Fórum de Rádios), outro pelos vídeo-ativistas em parceria com algumas emissoras de caráter público (Fórum de TVs), outro de articulação entre diferentes projetos de cobertura de texto e foto para internet, boletins e mídias impressas, marcando também a quinta edição da Ciranda, e um laboratório de conhecimentos livres, reunindo tecnologias e saberes livres e caracterizado fortemente pelo conceito de auto-gestão. Participaram projetos representativos de experiências do Fórum Social das Américas, como a Minga dos Movimentos Sociais, e do FSM em construção na África, como a produção do jornal impresso diário Flamme d’Afrique. As experiências de 2005 ofereceram o formato para atividades em Caracas-2006 e para uma cobertura compartilhada em Nairobi-2007.

2ª - FSM como ação global

Ao decidir que o FSM em 2008 não seria um evento, mas um chamado para ações e mobilizações pelo mundo todo, o Conselho Internacional do FSM transportou o encontro naquele ano para o território da comunicação. Foi preciso que atividades em diferentes lugares do planeta estabelecessem conexões e comunicassem agendas e perfomances, recursos e dificuldades, lutas e contextos políticos, entre si. A comunicação descentralizada contou com novas ferramentas e estratégicas, como a organização simultânea de entrevistas de lançamento do Dia de Ação Global, site multilinguistico para troca informações sobre atividades, um site de troca pública de vídeos e uma articulação de coberturas alternativas de radio (fórum de rádios) e de textos e fotos na 8 edição cirandeira.

3ª - Articulações da floresta

Os Encontros Sem Fronteira vêm sendo realizados desde o I Fórum Social Pan-Amazônico e estas serão as experiências articuladoras da comunicação da floresta rumo ao FSM 2009. Os encontros Pan-Amazônico e das duas Comissões do Conselho Internacional (Comunicão e Metodologia) em Belém, em julho, foram decisivos para a estratégia de garantir que os povos da floresta sejam portadores de seus próprios conceitos, linguagens e formas para o processo de comunicação do fórum. Os GTs de Comunicação e de Cultura, integrados por organizações da floresta, trabalharão em conjunto com as entidades mobilizadoras dos Encontros Sem Fronteiras, para que as ações de expressão desses povos sejam priorizadas desde os encontros que ocorrerão antes do FSM nas regiões de Macapá, Alto Solimões, Alto Rio Negro, Região do Rio Madeira e Madre de Dios, áreas de divisa com as Guianas, Suriname, Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia e com os Estados do Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Amazonas. Representantes desses encontros também participarão da construção dos projetos compartilhados, especialmente de radio, pela maior presença na floresta.

ORIENTAÇÃO METODOLÓGICA

A estratégia: mobilizar para comunicar

A dimensão política que a Comunicação terá na edição do FSM 2009 se expressa na proposta encaminhada pelos Grupos de Mobilização e de Mobilização durante Seminário da Comissão de Metodologia do Conselho Internacional, em julho, em Belém. Mais que definir as ferramentas institucionais centralizadas para difundir o FSM, a estratégia proposta é entrelaçar as ferramentas e linguagens utilizadas/os no universo FSM para uma construção colaborativa. Nesse sentido, o principal chamado proposto para a edição 2009 do FSM é o de Mobilizar Para Comunicar – situando a comunicação como ação política e não apenas canal de circulação/difusão de informações.

O método:colaborativo

Mídias, pessoas, organizações, recursos, conhecimentos e saberes deverão ser parte de esforços e iniciativas de comunicação já na preparação das atividades rumo ao FSM. Serão valorizadas as formas e linguagens da comunicação da pan-amazônia, já a partir dos encontros sem fronteiras, envolvendo movimentos de area de floresta dos diversos paises da regiao. Haverá interconexão entre o GT de Comunicação e o GT de Cultura, e muito diálogo com as organizações da floresta. O site (openfsm.net) O GT de Comunicação já está criando grupos gestores dentro dessa plataforma para construção colaborativa das diversas possibilidades de comunicação.

Infra-estrutura: acolhida e compartilhamento

O projeto de infra-estrutura do FSM será montado no sentido de receber as mídias alternativas através de grandes projetos de acolhida onde seja possível produzir colaborativamente: fórum de rádios, fórum de tvs, ciranda, laboratórios, etc. A Comunicação precisa concluir as demandas de infra-estrutura mas basicamente contará com um ginásio só para suas atividades, uma centena de computadores para uso comum, outros 30 só para edição colaborativa das mídias alternativas, estúdio de radio para produção de grade conjunta entre redes, um laboratório de conhecimentos livres e ainda estamos demandando as ilhas de ediçao para um forum de tvs que faça produções de programas diários.

Divulgação: Comunicar para mobilizar

A difusão de informações de interesse geral sobre o FSM será feita por meio de cartilha informativa em diversas línguas, produção de vídeo, boletins e um site do evento que conterá links para os demais sites existentes do processo de construção do FSM e de sua Comunicação, além da produção do programa da nona edição.

PROPOSTAS DAS MÍDIAS ALTERNATIVAS PRÉ-FSM

As mídias alternativas e comunicadoras/es sociais estão conduzindo de maneira autônoma seus diferentes projetos de edições, coberturas prévias e debates preparatórios de sua participação no FSM.  Duas iniciativas coletivas de alcance internacional serão realizadas imediatamente antes da edição do FSM 2009 em Belém e já estão integradas como um único momento de encontro.

Cobertura prévia regional –  Formação de núcleos de acompanhamento dos Encontros Sem Fronteira e caravanas terrestres e fluviais rumo ao FSM

Coberturas continentais –  Articulação entre coberturas alternativas e colaborativas do Fórum Social Europeu, 17-21 Setembro, em Malmö e do Fórum Social das Américas, 07-12 Outubro, na Guatemala, com a comunicação do FSM 2009 em Belém.

I Fórum Mundial de Mídia Livre – Proposto pelo Fórum de Mídia Livre Brasil, deve antecipar debates sobre temas de interesse comum entre as mídias alternativas e movimentos de comunicação na América Latina e no mundo

I Seminário Internacional de Comunicação Compartilha – Proposto por participantes de projetos colaborativos existentes no FSM, foi incorporado à programação do I Fórum Mundial de Mídia Livre e debaterá a gestão compartilhada de recursos e ações de comunicação de interesse do movimento social

Filed September 23rd, 2008 under Uncategorized

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