• icmd 201606 about a tribunal in wsf 2016 on coup in brazil

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 Instituto Paulo Freire, ABONG, UBM, Geledés, CUT, Ciranda, Clacso) 

PUBLIC STATEMENT TO THE INTERNATIONAL COMMUNITY FROM ORGANIZATIONS AND SOCIAL MOVEMENTS THAT ACT IN THE PROCEEDINGS OF THE WORLD SOCIAL FORUM - WSF IN BRAZIL AND AROUND THE WORLD

The world has spectated, in past years, a conservative wave against all and any defence of social agendas, environmental protection, strengthening of regional cultures or of any new global economic order that combats the causes of inequality.

In light of this regressive cycle, the people’s fight, led mainly by women, by black people, by the youth, students, intellectuals, and workers, has promoted resistance movements and built alternatives capable of shaping a new lifestyle for human beings between themselves and their relation with nature.

Latin America has been, in past years, a privileged territory, in resistance struggles as well as the consolidation of alternatives. These processes, along with the shift of the North American empire’s foreign policy, have been suffering attacks in all countries where people have dared to rebel against inequality and the injustices promoted by the neoliberal capitalist model.

Attempts of coups were overcome in Venezuela, Equator, and Bolivia. Coup attempts were carried out in Honduras and Paraguay, and more recently, with direct support from the international financial system, the peronist candidacy was defeated in the ballot box in Argentina in the election of an integrist government.

It is important to emphasize that all these crisis and coups in Latin America are based on the active role of media monopolies and oligopolies, which need to be confronted to open room for social resistance voices.

A parliamentary coup is currently under execution in Brazil, with explicit support from grand media corporations, especially Rede Globo, with sectors from the judiciary as the coup’s underwriters breaking the dorsal spine of the democratic state of right built from the hardship of Brazilians’ struggle in the last decades.

Those who have plotted the impeachment are now dismantling the state’s instruments of and for culture, education, human rights, housing, health, retirement, women, black people, indigenous populations, and, in the latest attack, the entire system of public communication.

The organizations and social movements that act in the World Social Forum’s proceedings accuse, before the international community, the political and institutional crisis in which Brazil and Latin America are submerged, alerting that the retrograde movement in the American Continent is in fact a step backwards with global impact, for it attacks not only democratically elected governments, but also an agenda towards the defence of another possible world, capable of refraining a rampant growth model that is taking humanity to the threshold of its extinction.

Brazilian organizations and social movements led by women, by black people, by indigenous peoples, by the populations of urban periphery, by workers, by students, artists, intellectuals and social activists of the most diverse fights and agendas, are out in the streets accusing and resisting retrograde measures and in defence of democracy and freedom of expression. They denounce the backward 
attempts to attack the recently achieved social rights and announce to the world that this coup is a background for the international financial system to grasp Brazil’s natural resources, especially the oil discovered in the pre-salt layer and the Amazon Rainforest. National sovereignty and people’s unity is at risk in Latin America.

Given this setting, we members of the International Council of the WSF join the proposal of an International Ethics Court in the next edition of the WSF 2016, in Montreal, to denounce the media political coup that leads to the rupture of democracy with the opening of President Dilma’s impeachment process, not within the Brazilian Constitution’s rules.

Violence and war benefit only the dominators. The general public rebels against unfairness and the violation of their rights. We conclude asserting that we will continue in the streets, accusing the coup in progress in Brazil, fighting for no more regressive measures and for no lesser rights, in support of all who rise for their rights, for freedom, for democracy.

Another world is possible, urgent, and necessary.



DE ORGANIZAÇOES E MOVIMENTO SOCIAIS QUE ATUAM NOS PROCESSOS NOTA PÚBLICA À COMUNIDADE INTERNACIONAL DO FSMNO BRASIL E NO MUNDO

O mundo tem assistido a uma onda conservadora nos últimos anos contra toda e qualquer bandeira em defesa das agendas sociais, de proteção ambiental, de fortalecimento das culturas regionais ou por uma nova ordem econômica mundial que combata as causas das desigualdades.

Frente a este ciclo de retrocessos, as lutas dos povos liderados principalmente pelas mulheres, pelos negros/as, pela juventude, estudantes, intelectuais,trabalhadoras e trabalhadores têm promovido movimentos de resistência e construído alternativas capazes de conformar uma nova forma de vida dos seres humanos entre si e com a natureza.

A América Latina tem sido, nos últimos anos, um território privilegiado, tanto das lutas de resistência, quanto da afirmação das alternativas. Estes processos, com a mudança da política externa do império norte-americano, vêm sofrendo ataques em todos os países onde os povos ousam rebelar-se contra as desigualdades e as injustiças promovidas pelo modelo capitalista neoliberal.

Houve as tentativas de golpe debeladas na Venezuela, Equador e Bolívia. As tentativas de golpe que se efetivaram em Honduras e no Paraguai e, mais recentemente, com apoio direto do sistema financeiro internacional, foi derrotada nas urnas a candidatura peronista na Argentina assumindo um governo integrista.

É importante ressaltar que todas estas crises e golpes na América Latina estão apoiadas no papel exercido por monopólios e oligopólios de mídia, que precisam ser combatidos para abrir espaço às vozes das resistências sociais.

No Brasil está em plena execução um golpe parlamentar, com apoio explícito das grandes corporações da mídia, em especial a Rede Globo, tendo como avalista do golpe setores do judiciário quebrando a espinha dorsal do estado democrático de direito construído a duras penas pela luta do povo brasileiro nas últimas Os que tramaram o golpe do impedimento agora desmontam os instrumentos estatais da cultura, educação, direitos humanos, moradia, saúde, aposentadoria, mulheres, negros, povos indígenas e, no mais recente ataque, todo o sistema de comunicação pública.

As organizações e movimentos sociais que atuam nos processos do Fórum Social Mundial denunciam à comunidade internacional a crise político-institucional em qual o Brasil e a América Latina estão envolvidas, alertando que o retrocesso no Continente Americano é sim um retrocesso com impacto planetário, porque o que está sendo atacado não são apenas governos democraticamente eleitos, mas uma agenda que aponta na defesa de um outro mundo possível, capaz de conter um modelo de crescimento desenfreado que está levando a humanidade a um limiar de sua extinção.

As organizações e movimentos sociais brasileiros, liderados pelas mulheres, pelos negros, pelos povos indígenas, pelas populações das periferias urbanas, pelas trabalhadoras e trabalhadores, pelas/os estudantes, artistas, intelectuais e militantes sociais das mais variadas lutas e agendas estão nas ruas denunciando e resistindo contra este retrocesso e em defesa da democracia e da liberdade de expressão. Denunciam as tentativas de retrocesso dos direitos sociais recém-conquistados e dizem ao mundo que este golpe é um pano de fundo para que o imperialismo financeiro internacional se aproprie das riquezas naturais do Brasil, em especial, o petróleo descoberto no pré-sal e a Amazônia. Está em risco a soberania nacional e a unidade dos povos da América Latina.

Frente a este cenário, nós membros do Conselho Internacional do FSM nos somamos à proposta de realização de um Tribunal Ético Internacional na próxima edição do FSM2016, em Montreal, para denunciar o golpe político-midiático que leva à ruptura da democracia com a abertura do processo de impedimento da presidenta Dilma fora das regras da Constituição Brasileira.

A violência e as guerras só interessam aos dominadores. O povo se rebela  contra as injustiças e o desrespeito aos seus direitos. Concluímos afirmando que continuaremos nas ruas, denunciando o golpe em curso no Brasil, lutando por nenhum retrocesso a mais e nenhum direito a menos, em apoio a todas e todos que se levantam por seus direitos, por sua liberdade, pela democracia.

Outro mundo é possível, urgente e necessário.

Abong,
ALAI  (Agencia Latinoamericana de Información).
 Alianza Intenacional de los Habitantes.
Alternatives
ARCADE, Senegal
Akshara~ Mumbai India
Arci, Italy
Cetri
Ciranda, Brasil
Clacso
CRID (France),
CUT-Brasil
Frantz Fanon Foundation
Geledés
Ibase, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
ICAE
Instituto Paulo Freire
Kurdish Network
LIBERA - Italia
MDM-Movimento Democrático de Mulheres, de Portugal,
Mesopotamia Social Fórum
Nouevaux cahiers du socialisme (NCS).
Panos Institute West África
Red de Mujeres Afrolatinoamericanas, Caribenhas e da Diáspora
Stop the Wall
UBM-Fdim
Universidade Popular dos Movimentos Sociais
Vasudhaiva Kutumbakam Network